De 12 a 16 de Maio de 2019, Mwana Pwo conduziu um programa de treinamento de liderança de 5 dias em saúde e direitos sexuais e reprodutivos com 20 meninas adolescentes entre 16 e 20 anos. O treinamento teve como objetivo equipar as meninas adolescentes com as informações e ferramentas necessárias para assumir a liderança na defesa dos direitos sexuais e reprodutivos em suas escolas e comunidades. As meninas também irão liderar clubes de saúde dentro de suas comunidades e escolas, onde meninas adolescentes podem compartilhar informações e preocupações relacionadas à direitos e saúde sexuais e reprodutivos. O treinamento foi realizado utilizando o currículo Avante Raparigas. Os tópicos abordados foram:

  1. Gênero
  2. O valor da educação
  3. Comunicação (com pais e parceiros)
  4. Tomada de decisão
  5. Puberdade
  6. Gravidezes indesejadas
  7. Prevenção de gravidezes indesejadas
  8. Doenças sexualmente transmissíveis, incluindo HIV / AIDS
  9. Direitos de Saúde Sexual e Reprodutiva
  10. Gestão Financeira
  11. Estabelecendo metas pessoais

Por meio do programa de treinamento, as meninas puderam reavaliar suas prioridades, definir objetivos pessoais, identificar riscos e possíveis estratégias de mitigação e formar laços que permitam o trabalho colaborativo. A primeira corte de líderes treinados em direitos sexuais e reprodutivos participará do conselho consultivo de jovens de Mwana Pwo, que é liderada pela Lorena Sacatongo membro de Conselho Administrativo.


Falando hoje no escritório da Mwana Pwo durante uma breve visita, uma das participantes, Estela Vânia Osvalda Kapindulo disse: “Minhas vizinhas perguntaram-me sobre o que eu aprendi no treinamento. Eu disse a elas que: aprendemos sobre gravidez na adolescência e amizades saudáveis. Eu as convidei para participar das atividades de Mwana Pwo. Eu gostei de aprender sobre o HIV / SIDA porque há muitos casos de discriminação na minha comunidade, mas é uma doença como qualquer outra. Pessoas discriminam por falta de informação sobre a transmissão do HIV /SIDA. Eu aprendi que o vírus não é transmitido usando os mesmos pratos, talheres ou banheiro. Precisamos ter cuidado porque a doença pode afetar qualquer um de nós.

A formação foi possível graças ao apoio do Governo Provincial da Lunda Sul, Gabinete Provincial do Ministério da Educação e das Ciências, Sociedade Mineira de CATOCA, Bancos (BAI, BPC e BFA), Senhora Andrea Micaela dos Santos do Banco Económico, Caschi, Angombolo e Sr. Moniz.

Ainda no ambito sobre a saude sexual da mulher, a menstruação é um processo biologico e natural que ocorre nas meninas e muheres em idade reproductiva, é uma parte integral e natural da vida humana, alem disso, é fundamental para a dignidade e bem estar das mulheres e raparigas e uma parte importante da higiene basíca, serviços sanitarios e de saúde reprodutiva pelo qual todas as mulheres e raparigas têm direito. Globalmente , aproximadamente 52% da população feminina (26% da população total) estão em fase reprodutiva. A maioria destas mulheres e raparigas menstruam entre 2 á 7 dias de cada mês.

Este processo biologico, apesar de natural , é frequentemente visto como tabo, e tem muitos valores culturais negativos assoçiados a isso, incluindo a ideia que a mulher quando esta a menstruar esta contaminada ou suja e impura. Mulheres e raparigas em areas rurais e perifericas particularmente raparigas nas escolas sofrem estigmas por falta de serviços e facilidades que as ajudam a lidar com as dores fisicas e psicologicas que eslas enfrentam durante o periodo menstrual, tais como: preparação inadequada sobre higiene menstrual para as raparigas que estão prestes a entrar em idade reprodutiva; falta de água para higiene nos balnearios escolares; falta de materiais para uso menstrual, falta de espaços apropriados para tratar da higine menstrual.

Numa analise multidimensional da pobreza infantil em Angola com a colaboração do governo, INE, E UNICEF, permitiu-nos fazer uma comparaçao do genero em idade escolar (frequência escolar, relação, nível de escolaridade/idade, e obtenção do nível primário de escolaridade), as raparigas apresentam maiores privações nos indicadores relacionados com a educação. No entanto, as disparidades observadas só são estatisticamente significativas para o indicador referente à frequência escolar relativamente às crianças dos 12 aos 17 anos Isto pode estar associado a factores diversos, como a falta de infra-estruturas sanitárias na escola (o que dificulta a
frequência escolar, essencialmente das raparigas durante a puberdade), o casamento infantil, entre outros potenciais motivos. Se atentarmos ao sucesso escolar e ao nível de escolaridade correspondente à idade, as taxas elevadas de privação afectam mais de 50% e 70%.

De acordo com nas nossas pesquisas feita durante os anos de actividade do Ulemu, as raparigas participantes reportaram que pelo menos 60 % das raparigas faltam as aulas de 1 á 7 dias por mês e outras assistem as aulas destraidas com receio de sujarem-se durante a aula. Como consequencia a maioria destas raparigas notaram que elas estão fisicamente e psicologamente doentes e fracas, falta-lhes concentração causando-lhe um
desempenho escolar fraco.Em adição , professores constataram uma das maiores causas do absentismo das meninas é devido o aparecimento da menstruação ,resultando em muitos casos na desistençia escolar das mesmas por não conseguirem manejar a menstruação nas suas escolas e a falta de facilidades menstruais satisfatorias.

Para alem das dificuldades encontradas nas escolas existem outras deparadas nas suas comunidades, dentre elas:

Elevado indíce de gravidez precoce, isto é ,92 % das raparigas da Lunda Sul já tem uma vida sexual activa e as mesmas na sua maioria o fazem sem um conhecimento adequado de como fazer e metódos seguros que as previnem contra uma gravidez indesejada e doenças transmissiveis sexualmente;


Falta de facilidades ao acesso as informaçoes nos orgaõs de saúde nas comunidades locais que falem sobre higiene menstrual causando um significativo impacto negativo a saúde das mesmas tais como infecçoões urinarias e fungícas, cancro cevico Falta de informações sobre saúde menstrual no seio familiar causado por tabo e preconceitos culturais passados de geração em geraçao das familias africanas em particular


Falta de disciplina específica nas instituicões educativas que abordem sobre saúde menstrual e reproductiva nas escolas detalhando a importânçia da mesma e seu uso.


Falta de acesso a pensos e toalhas higienicas devido o custo elevado dos mesmos. Como mecionado acima ,familias em areas rurais ou perifericas têm menos ou nenhuma condição económica, pela mesma recorrem a materiais inadequadas como panos sujos, panos com quimícos e não favoráveis e outros materiais sem higiene para a saúde menstrual.

Devido as dificuldades financeiras para aceder aos materias de higiene menstrual, muitas das raparigas encontram solução na pratica do sexo transacional com mais velhos submentendo-se a um maior risco de adquirir DTS, VIH SIDA, gravidez na adolescencia.


Apesar das dificuldades acima recitadas, a higiene menstrual têm sido ignorado pelos profissionais de saúde e sectores educacionais.

Devido a extrema necessidade de colmatar os diversos problemas que a Lunda-Sul enfrenta ,a assoçiação Mwana Pwo criou o projecto Ulemu (Dignidade,Ou Valorização) por meio de uma Campanha de Gestão de Saúde Menstrual para meninas com idade entre 11 e 18 anos, lançada em 2017, para garantir que mulheres jovens recebam informações factuais sobre a gestão de saúde menstrual e forneçam pensos higiênicos para meninas carentes.

Através do projeto, Mwana Pwo levantou um total de 2.000 pacotes de pensos (modex) atraves de campanha de doação que foram distribuídos para 500 meninas que frequentavam a escola. Um total de 3, 154 meninas de 8 escolas também receberam treinamento em menstruação.

Apesar dos esforços consideráveis do Governo, da sociedade cívil entre outras organizações a nível mundial para colmatar as disparidades de género e incentivar a emancipação, o foco maioritário tem sido sobre direito das mulher mais adultas.

Debates e discussões sobre o papel das mulheres na promoção do desenvolvimento nascomunidades, ganharam impulso com as observações de que para o desenvolvimento eficaz a ter lugar a necessidade de capacitar as mulheres adolescentes e jovens. A juventude na província da Lunda Sul especificamente no Saurimo, tem muita neccessidade consernente a educação sobre e saúde sexual e reprodutiva. E os pais tem aqueles tabos, de que não se pode falar do assunto com os filhos, então as adolescentes
crescem com o conhecimento da rua, com os amigos ou seja, sem nenhuma orientação, e isso faz com que elas tomem rumos de vida erradamente, surge a necessidade da organização implementar, os projecto sobre a saúde sexual e reprodutiva. E os vastos depósitos de diamantes têm atraído jovens desempregados que se envolvem em mineração artesanal, A Associação Mwana Pwo criou um projecto em áreas onde esta actividade sobre os
casos de exploração sexual de meninas adolescentes e mulheres jovens, têm sido relatados, enquanto os casos de infecção pelo HIV estão aumentando na província.


Lunda Sul também tem o maior número de gravidez na adolescência no país. Além disso, em áreas onde existem vastos recursos naturais, há uma alta probabilidade de que aponta o trabalho infantil aos benefícios desproporcionais da indústria extractiva.