EU E A MINHA PUBERDADE
Introdução
Neste artigo pretendo descrever um pouco da minha história como adolescente que também reflete a vida de muitos adolescentes durante a puberdade segundo a teoria da psicanalise, e tentar esclarecer as dificuldades que passei durante esta fase.
Resumo
A puberdade é uma fase da vida em que ocorrem várias transformações, biológicas e fisiológicas, durante esta fase o menino ou a menina sente algumas mudanças em seu corpo e também passa a ter uma mente mais aberta para novas descobertas que o mundo apresenta em seu torno. Nem todo mundo teve o prazer de ter essa informação quando foi adolescente como no meu caso, eu não tinha o conhecimento sobre puberdade eu vivia em um meio em que não se falava sobre este assunto, os pais tinham medo e vergonha de sentar e falar com os filhos o que realmente acontece nesta fase da vida do adolescente.
Na verdade, o que era tabu agora é algo normal para mim, e levar a minha descoberta para os outros foi uma das melhores victória na minha vida e a Associação Mwana Pwo tem me levado a transmitir esse saber em todo canto da nossa Província.
Palavra Chave: Adolescência, puberdade.
Adolescência é um termo que, em sua versão latina (adulescentia), já era utilizado desde os idos tempos de império Romano, nos seculos I e II, a fim de descrever e delimitar um período específico na vida dos cidadãos conforme previa a rígida hierarquia patriarcal. As organizações sociais da época orientavam-se em torno dessa hierarquia.
Há que se considerar que a própria puberdade está sujeita a intervenção do universo simbólico na qual se inscreve, ainda que não esteja a ele subordinado, podendo ser antecipada ou postergada conforme o contexto no qual o individuo se insere e a historia de vida que o singulariza(ver Graber et al, 1995). Como se sabe, as transformações pubertárias se estendem por vários anos, em torno de três ou quatro e não aparece sem motivo. neste período o corpo desenvolve física e mentalmente tornando-se maduro e o adolescente fica capacitado para gerar filhos.
Uma adolescência perturbada sem conhecimentos e sem saber que estás dentro da mesma por falta de comunicação e interação com os pais essa foi a minha puberdade; estar ao lado de pessoas cheias de cultura e medo achando que eu não precisava saber sobre a assunto por ter apenas 12 anos de idade, eu não sabia que estava passar por transformações durante esta fase mas eu via o meu corpo a mudar, os seios mudavam de tamanho mesmo assim a minha mãe olhava pra mim e não dizia nada, eu falava sempre com as minhas amigas em nossas conversas e brincadeiras, que algo está mudar em mim mas nenhuma delas conseguia responder porque não tínhamos conhecimentos. Na escola, os professores tinham medo quando chegavam nesse tema, sempre falavam com cortes sem claridade para que fosse um tema normal e que não se refletia nada em nós, um dia desses na escola uma das minhas colegas sangrou na turma o seu período apareceu no momento da aula. Ela chorava e a professora pediu para que todo mundo saísse da sala e ela ficou com a menina dentro e nos falou que ela havia se cortado e nós acreditamos na história que a professora disse. Meses depois, eu tive um sangramento e eu tinha medo e pensei que eu havia me cortado também, com medo não consegui falar pra minha mãe somente falei com as minhas amigas, elas disseram que era normal acontecer com as mulheres nessa etapa da vida mas mesmo assim eu tinha medo porque nunca tinha ouvido isso antes, dois dias depois falei pra mãe mas mesmo assim ela não me deu nenhuma satisfação que eu precisava ter, apenas dizia me “já és mulher e se ficares próximo de um rapaz vás ficar gravida” e levei isso até os meus 17 anos, eu cresci em uma família pobre não tínhamos acesso a internet isso tudo era novo para nós, mais tarde comecei a ter contactos com livros de biologia que explicavam sobre a puberdade e as transformações que ocorrem durante a puberdade.
Um novo mundo se abriu para mim, novas descobertas foram ocupando a minha mente, falar da menstruação a partir daquele momento nunca foi mais um tabu. Quem falava vagina era batida porque em vez de ser um órgão do nosso corpo era declarado como ofensa hoje eu falo de boca cheia porque sei que não é uma ofensa mais sim uma parte do meu corpo, olhar para mim e ver as minhas ancas a saírem já não foi novidade foi um dos melhores dias da minha vida em descobrir o que realmente estava a se passar comigo, despertar outras meninas foi o meu foco porque eu já sabia que era um direito de todo mundo em saber o que ocorre em torno de si mesmo.
E durante os 3 anos como voluntária na Associação Mwana Pwo tem me despertado ainda mais as dificuldades que muita adolescente tem de obterem informações sobre a puberdade sem tabus, e tem enfrentado os mesmos problemas que acabei enfrentando no passado, comecei a exprimir tudo que eu carregava para estas meninas. Hoje, sou feliz porque sei que muitas meninas acabaram de enxergar as coisas de uma maneira diferente que não foram capazes de obter as mesmas informações com os seus pais.

Nome: Rebeca Chalifa
Técnico médio em Bioquímica
4º ano no curso de enfermagem geral (ESPLS)
Professora de IIº ciclo de biologia
Assistente no departamento de género da Associação Mwana Pwo