Pedra Preciosa

Reconhecimentos

Mwana Pwo agradece à Fundação Open Society (OSISA) pelo financiamento desta pesquisa e do projeto contra a exploração sexual nas zonas de mineração em 2019. Também agradecemos aos membros do conselho, Teresa de Sá, Anatoli Ginga, Lourena Sacatongo, Celio Miudo, Feliciana Kwenda e Jonatão Quessongo pela orientação, dedicação e comprometimento durante a pesquisa e a execução do projeto.

Ainda, a nossa sincera gratidão se estende ao secretariado de Mwana Pwo, que trabalhou incansavelmente para dar vida ao projeto de pesquisa e acompanhamento que culminou neste relatório.

Agradecemos de forma especiais as pessoas que nos dirigiram aos lugares de maior impacto, que participaram das entrevistas e das discussões dos grupos focais.

Finalmente, agradecemos o apoio prestado pelo Dr. Mavudi Maleka, Dr Rogerio e Dra. Maria Nitza Bonne na conceituação da pesquisa e o Dr. Catomba Muiamba por conduzir o trabalho de campo e compilar o relatório.

Sumário executivo

Angola é o quinto maior produtor de diamantes, de acordo com um artigo do www.umaizi.com, sendo as províncias da Lunda Norte e Lunda Sul localidades com os maiores depósitos. Nessas províncias realizam-se atividades de mineração informais e formais. O setor de mineração artesanal de diamantes na província da Lunda Sul é vasto e não regulamentado, atraindo uma maioria da população da província com cerca de 70% de jovens desempregados e populações de outras províncias e países. O setor é uma fonte de subsistência e fornece os recursos financeiros muito necessários para as famílias, mas também é uma fonte de conflito, degradação ambiental, abusos dos direitos humanos e aumento da disparidade de gênero.

Embora uma pesquisa considerável tenha sido realizada sobre o impacto das indústrias extrativas nas comunidades, existe uma literatura limitada sobre as dimensões de gênero e o impacto da indústria nos resultados de segurança, saúde sexual e reprodutiva das mulheres jovens e violência contra as mulheres. O Artigo 1 do Protocolo da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre os Direitos das Mulheres na África (Declaração de Maputo) define Violência contra as Mulheres como todos os atos perpetoados contra as mulheres que as causam ou podem causarlhes danos físicos, sexuais, psicológicos e econômicos, incluindo a ameaça de tais atos, ou a imposição de restrição ou privação arbitrária de liberdades fundamentais na vida privada ou pública em tempo de paz e durante situações de conflitos armados ou de guerra ”. Embora a mesma definição abranja a violência contra as meninas, devese notar que elas enfrentam tipos únicos de violência, por exemplo, abuso sexual, mutilação genital feminina e casamento precoce e forçado.

Compreender a realidade vivida de meninas e mulheres jovens nas comunidades de mineração é um primeiro passo para garantir que políticas e estruturas sejam desenvolvidas com impacto positivo sobre elas. Em termos comparativos, na Serra Leoa, por exemplo, de acordo com um relatório da International Human Rights Clinic (2001), a indústria de extracção é caracterizada por relatos de tráfico de mulheres jovens de outras partes do país, sexo comercial forçado e abuso de gênero. Angola não está imune a esses desafios. O Departamento de Estado dos EUA, no Relatório sobre Tráfico de Pessoas em 2017, destacou que crianças congolesas sem documentos a partir de 12 anos são recrutadas de Kasai Occidental na República Democrática do Congo (RDC) e transportadas para Angola para trabalho e tráfico sexual. A província de Lunda Sul fica perto da fronteira com a RDC e, juntamente com Lunda Norte, possui os maiores depósitos de diamantes do país, proporcionando terreno fértil para a operação de mineradoras artesanais e, posteriormente, levando aos impactos negativos listados acima. De acordo com o documento de posição da Oxfam sobre Justiça de Gênero e Indústrias Extrativas (2017), as taxas de doenças sexualmente transmissíveis e HIV / AIDS, violência contra mulheres, alcoolismo, abuso e assédio sexual e violência doméstica são mais altas nas zonas da indústria extractiva.

Como se vê, tais relatórios são de autoria estrangeira, a nível local não existe tal esforço, pelo que o trabalho deste género de autoria angolana é pioneiro.

Outro sim, como na maioria das zonas da indústria extrativa, mulheres e meninas na Lunda Sul são desproporcionalmente impactadas pelas atividades de mineração e frequentemente expostas à exploração sexual e à violência. Segundo a Pesquisa de Indicadores Múltiplos de Saúde para 2015-2016, 59,6% das meninas na Lunda Sul engravidam antes dos 18 anos, a taxa mais alta do país. A gravidez precoce pode ser resultado de violência sexual, particularmente casamento infantil e abuso sexual, predominantes nas zonas de mineração. Com base no mesmo relatório, 39% das mulheres na Lunda Sul sofreram violência física, enquanto 5% sofreram violência sexual pelo menos uma vez. Apesar de sua prevalência, as estatísticas sobre o número de mulheres que sofrem violência econômica não são documentadas, embora Mwana Pwo calcule que quase 60% das mulheres nas comunidades mineiras tenham sofrido esse tipo de violência.

Estas insuficiências de informações são as que oportunizaram a realização desta pesquisa que objectiva mobilizar informações para reconhecer, abordar e agir para diminuir todas as formas de violência contra as mulheres e as meninas. Isso implica a adaptação de uma abordagem baseada em direitos humanos e sensível ao gênero, focada na conscientização, no fortalecimento da confiança e na garantia de leis, políticas e orçamentos adequados.

Em Março de 2019, Mwana Pwo lançou o projeto contra a Exploração Sexual, uma forma de violência contra as mulheres, nas zonas mineiras da Lunda Sul com o objetivo de melhorar a segurança e a saúde sexual e reprodutiva de meninas e mulheres jovens em comunidades dentro e ao redor de zonas de mineração artesanal. Como parte de projecto, Mwana Pwo elaborou uma pesquisa para perceber o nivel e impacto de exploração sexual nas zonas de mineração artisenal.

Durante a recolhe da informação e implementação do projeto , foram tiradas as seguintes observações;
A violência contra as mulheres, nesta pesquisa passara a se exprimir pela abreviação VAW, é predominante nas zonas de mineração em forma de violência sexual, violência física e violência econômica (relacionada ao acesso das mulheres à terra), levando à violência psicológica e, perpetoada por mineiros formais e artesanais e a comunidade em geral. Os trabalhadores das empresas mineiras, garimpeiros (mineradores artesenais) e os ´bosses´ (financiadores das actividades de mineração artisenais) que se mudam para Lunda Sul sem suas famílias aproveitam a vulnerabilidade das meninas e se envolvem em relações sexuais. O VAW nas zonas de mineração como em outras comunidades está enraizado nos desequilíbrios de poder que existem entre homens e mulheres.
Existe uma correlação entre o patriacado nas comunidades mineiras e outros sistemas de opressão, incluindo a classe. A maioria das mulheres e meninas das zonas de mineração estáo desempregadas, dependendo em grande parte de seus pais, cônjuges e parceiros. Embora Lunda Sul seja uma zona da indústria extrativa, existem dois extremos nas comunidades relacionadas ao acesso a recursos financeiros, a minoria que tem acesso a recursos minerais e, consequentemente, o poder econômico, e a maioria que é pobre e depende da riqueza da minoria. Isso aumenta a vulnerabilidade de mulheres e meninas e as coloca em risco de exploração sexual. As meninas são forçadas à prostituição e relações sexuais transacionais para obter ganhos financeiros.
A informalidade das zonas de mineração artisenal resulta em falta de serviços sociais adequados, como escolas secundárias e hospitais bem equipados, que afeta o acesso de meninas e mulheres as serviços de educação e saúde de qualidade, deixando-as presas em um ciclo interminável de pobreza e com maus resultados para a saúde.
As disputas de terras nessas comunidades afetam principalmente mulheres e meninas, deixando-as sem terra suficiente para o cultivo, que é sua principal atividade econômica. Apesar da existência de leis e políticas, a natureza patriacal das comunidades afeta negativamente o acesso das mulheres à terra, resultando em violência econômica.

Introdução

Este trabalho narra histórias de exploração sexual reais e vividas, algumas das quais que culminaram em transmissão de HIV-SIDA dos seus praticantes. Tais histórias foram colhidas em 5 zonas alvos de estudo. Sendo duas no Município de Cacolo na localidade do Caiombo e, uma no Municipio de Saurimo localidade do Samulambo, uma no Município do Muconda na localidade de Chiluage e finalmente uma na Localidade de Mussunuij pertencente a Provincia da Lunda Norte. O critério da escolha desta localidades deveu-se por serem caracterizadas de maior confluência de pessoal que por ambição de vida, a busca de oportunidades para viver, ou influencias das amizades se prepuseram ir ao garimpo em busca de bens materiais duma forma estrondosa e assustadora através do alcance da pedra preciosa (o Diamante).

A busca visa a camada adolescentes pelo relato direito ou indireto, duma ou doutra forma da sua experiência sexual. Ao nos referirmos da experiência sexual que se entenda alguma relação ou acto de penetração vaginal, oral ou anal com algum parceiro (a).

O trabalho contou com apoio dalguns garimpeiros que serviram de guias e fontes de informação. Pois são eles que nos foram mostrando as zonas de maior confluência de trabalho, pessoas que tiveram envolvidos na situação de estudo, até algumas experiências pessoais vividas por eles. Com estes fizeram conosco todas as viagens para busca de dados, e serviram de interpretes quando se tratasse de abordar a questão em Cokwe.

O estudo foi feito em 5 zonas de exploração artesanal de diamante, com uma possibilidade de 60 entrevistados sendo 25 do sexo feminino e 35 do sexo masculino, porém, a amostra deste trabalho restringiu-se a 5 entrevistados pelo fator tempo, custo e dificuldades de acesso à zona de exploração diamantífera que hoje, devido a situação sócio-política do país o garimpo é algo clandestino. A idade dos entrevistados varia de 12 aos 17 anos de idade.

Destes entrevistados a que se salientar que muitos são provenientes dum extrato social baixo, isto é com um custo de vida quase miserável. O nível de escolaridade destes ronda entre 3ª a 6ª classe, e muitos deles ainda frequentam a escola duma forma ambulatória. Outra característica a se ter em conta e que chama atenção é o facto de muitos destes adolescentes entrevistados não terem tido relações sexuais antes e, muitas das vezes, esta pratica ser um tabu no seio familiar, pois ninguém fala dela para prevenir os riscos e mostrar a sua real vantagem.

Não se pode colocar de lado que existem alguns imigrantes provenientes doutros paises e Angolanos das outras provincias que são protagonistas e ou vitimas de trabalho de sexo por ganho. Outro sim, na maior parte das vitimas são de camada feminina, e sobretudo adolescentes nativos dos bairros circunvizinhos das zonas de exploração.

Motivos da Prática das relações sexuais

a) Algumas das Razões da presença das adolescentes no garimpo

Muito antes de se apontar as razões da pratica das relações sexuais, seria interessante buscar-se as razões que levam as meninas a chegarem ao local do garimpo. Pelo que se apontam como influências para se chegar no local do garimpo:
O incentivo dos pais para troca de produtos da lavra tal como a verdura, fubá de bombo, gindungo, mandioca, bombo ea liamba com peixe seco ou fresco, óleo, sabão e outros produtos provenientes da cidade.
As experiências contadas pelos amigos,
O sucesso obtido pelo trabalho anterior
A fama da rentabilidade da zona
A razão das razões: a busca de somas de valores monetários para realização pessoal ou familiar.
Para as menores de idade, 12 à 15 anos, ser acompanhantes das irmãs mais velhas e auxiliares na venda dos produtos ou ainda controladoras de negócios.
Ser se apoiante de entrega de inertes, alimento, cigarro e bebida na hora da lavagem de cascalho.
A curiosidade em apreciarem os trabalhos feitos pelos garimpeiros
A influencia dos amigos ou amigas.
A tendência em acompanhar que se torna num hábito-vício de frequentar lugares de exploração artesanal de diamante

b) A Pratica sexual no local de garimpo

Cabe salientar, antes de se apresentar as motivações da pratica sexual no local de garimpo, que se entende por relações sexuais ou seja pratica sexual o acto de alguma penetração vaginal, oral ou anal, com algum parceiro.
Preste-se atenção que no acto de pratica sexual apontou-se três modalidades: por penetração vaginal, penetração anal e oral. O primeiro caso parece ser o mais conhecido, mas para o segundo caso, merece uma atenção porquanto, apesar de ser casos que acontecem e verídicos, não são muito frequentes porque tais casos tem sua materialização e implementação por existirem dois tipos de zonas de exploração diamantíferas: Aquelas em que estão próximas das populações e que permitem acesso a entrada de mulheres e aquelas de difícil acesso porque distam muito das populações e são lugares pouco vulgar.

È nestes lugares distantes e de acesso restrito e que muitas das vezes tem uma durabilidade de trabalho enorme é na maior dos casos onde acontecem casos de relações sexuais anais. O terceiro tipo de relacionamento também muito raro, é a penetração oral.
Fruto da distinção das modalidades da pratica sexual, vai se dividir em três os motivos da pratica sexual no local de garimpo. Sendo:

As irmãs mais velhas habituadas a vida de lucro rápido e superior ao normal, acabam por entregar as irmãs menoras para rentabilidade e sucesso dos seus negócios de prostituição.
O habito de frequentar as zonas de exploração artesanal de diamante em busca de dinheiro, tem como consequência e resultado criação de ambientes de prostituição, ou seja troca de dinheiro pelas relações sexuais.
Casos de violação e abusos sexuais, pois, nem sempre existe contratos entre os dois, ou seja dialogo para que se aceite o convívio, embora imoral, entre as partes.
A busca frenética de bens materiais
Lucros fáceis

b)2. Alguns motivos da pratica sexual pela penetração anal no local de garimpo

Falta de acesso feminino nos locais de exploração
Imaginações, necessidades biológicas e falta de autodomínio levam que muitas das vezes se chegue assédios ou violações sexuais por lei de maior força.

b)3. Alguns motivos da pratica sexual pela penetração oral no local de garimpo

Impotência sexual,
a busca frenética de bens materiais
lucros fáceis
a necessidade de satisfação dos apetites carnais, em comum acordo entre os envolvidos chegam a pratica de sexo via oral.

Diga-se ao bom da verdade que este tipo de contacto entre os trabalhadores artesanal de exploração de diamante e as meninas, vezes há que resultam em união de facto entre esses, mas outras vezes e na maior dos casos se limita em simples acto de penetração vaginal, oral ou anal entre os parceiros que terminando o trabalho de exploração também este se dá por terminado.

Em outros casos, encontramos adolescente, fruto da sua prostituição em que acabam por serem patrocinadores com o dinheiro adquirido da prostituição
Este são os factos que passamos a relatar histórias contadas quer por rapazes exploradores artesanais de diamante, ora pelas meninas vitimas de exploração sexual.

Critérios de inclusão dos participantes ao estudo Selecionou-se como participantes para este estudo pessoas que possuem as seguintes características 1. Ser adolescente 2. Ter vivenciado a prática de serviço de sexo em lugares de exploração diamantífera ou feito algum negocio nestas zonas 3. Que aceite voluntariamente participar do estudo

Objetivos do Estudo Objetivo geral
( Descrever o comportamento sexual das adolescentes nas zonas de exploração diamantífera visando desenvolver estratégias de redução da mesma
Objetivos específicos
Identificar as zonas de maior pratica de exploração sexual para o domínio real da situação
Registar as informações para descrição dos casos notórios
Avaliar a influencia no vivido dos implicados para se achar estratégias superadoras
Enfoque metodologico do estudo
O presente estudo visa entender o comportamento sexual nas adolescentes nas zonas de exploração diamantífera visando desenvolver estratégias de redução destes serviços em adolescentes. Para tal entendimento, a Associação Mwana Pwo fez participar, em colaboração e cooperação interativa, dinâmica, ativa e envolvente uma equipe de busca em 5 zonas distintas de maior impacto, equipe esta que indagou, dialogou com jovens adolescentes e alguns adultos que vivenciaram uma tal experiência.
2.1. Tipo de estudo
Este estudo é de tipo de pesquisa de campo de estudo de descrição da população que busca informações e conhecimentos de comportamento sexual nas zonas de exploração diamantífera daí o seu caracter qualitativo para se procurar estratégias de minimização de tal situação.
No desenvolvimento deste tipo de pesquisa, se exige a realização duma pesquisa bibliográfica sobre o tema em questão para servir de ante câmara sobre o estado actual da pesquisa e outras contribuições já feitas neste campo. Entretanto, estudos similares´, para esta zona leste do país não os encontramos, talvez pela pobreza de literaturas entre nós, por isso, este estudo de campo que descreve a população será livre, não seguindo a risca o rigor deste tipo de estudo.
Neste estudo, utilizou-se as técnicas de entrevista em profundidade não estruturada e não padronizada. Assim, os entrevistadores tomaram contacto com as adolescentes praticantes do trabalho do sexo, com garimpeiros praticantes deste trabalho, mas sem integrar-se a eles. A entrevista é feita duma maneira consciente, dirigida e ordenada para um fim, embora os entrevistadores fossem passivos, não se envolvessem pelas situações, mas obtem a visão da situação mediante o relato do outro.
Este procedimento pretende compreender mais que explicar, não se esperam respostas objectivamente verdadeiras, mas sim subjetivamente sinceras, o entrevistador adota a atitude de ouvinte interessado, mas não avalia as respostas, permite o máximo de flexibilidade ao explorar o tema, favorece abordar novos temas â medida que saem, obtem informações contextualizada, as respostas são abertas sem categoria de respostas preestabelecidas, dá-se uma relação de confiança e entendimento, as entrevistas foram elaboradas de forma a permitir a liberdade dos entrevistados exprimirem-se de forma descontraída e abrangente. O tempo máximo foi de 35’.
Esta técnica nos foi útil para busca de temas que exigem o anonimato, conhecer profundamente o tema e obter informações muito ricas sobretudo quando se trata dum tema como este que se tem pouquíssima informação e se busca informações complexas, confidencias, delicadas. Porém, e em contra partida, encontrou-se dificuldades por se depender dos entrevistados que vezes houve por tabu sentiram-se envergonhados e não abordaram com profundidade o tema limitando-se em pergunta e respostas o que muito dificultou os entrevistadores a expressar detalhes e dados sobre o tema.

Os dados da entrevista foram colhidos em anotações e gravações em áudios ora por registo fotográfico e posteriormente transcritos textualmente, sendo utilizado o programa MS_Word.
Para além das transcrições, cada entrevistador preencheu uma ficha de resumo dos principais aspectos de cada entrevista. A elaboração da ficha-resumo foi pré-condição para realização da entrevista posterior. Eis os temas da ficha resumo:

Analise de dados e redação do relatório
As transcrições dos dados foi sintetizada pela técnica de papiro, que consiste em agrupar as informações em papeis por tópicos. Nesta etapa os homens da secretaria da Associação e os moderadores foram inclusos para analise de dados e especificação das estratégias contidas nas recomendações. As informações reagrupadas e analisadas foram inseridas no Word, assim foi redigido o relatório.

Compromisso ético.
A participação neste estudo foi solicitada e consentida voluntariamente. Preservou-se o anonimato mediante o consentimento informado dos participantes e a participação não acarretou um mínimo de risco para o sujeito. E as fotos utilizadas corresponde as atividades realizadas por esta associação e solicitou-se o consentimento dos presentes nelas para a sua divulgação.

Histórias vividas de relações sexuais em campos de exploração diamantífera

A vendedora de Cigarro, Whisycoite, e cerveja em lata

Estamos diante dum depoimento feito por uma menina de 17 anos de idade, residente no Bairro Mussunuij. Mora com os Pais nesta mesma aldeia. Os pais são camponeses. É uma agricultura de sobrevivência.
A menina que connosco partilhou a sua experiência, informou-nos que não é obrigação dos pais, mas é o ver a situação misera da família, e a luta para melhoramento desta situação precária da família que a levou a tentar fazer o negocio junto da zona de exploração artesanal de diamante.
Começou, aos 12 ou 13 anos de idade, quando viu que as mais velhas provenientes da Cidade vendiam pão e bolinhos, outras churrasco com bebidas e isto era rentável. Dai que tomou a iniciativa de ir vender a mandioca,ginguba egindungo, produtos proveniente das lavras dos pais. O que surtiu efeito.

O negocio foi evoluindo até que teve a oportunidade de vir para a cidade, com uma das senhoras que ela conheceu no negocio afim de conseguir comprar roupas e postiço tanto para ela como para os pais e os irmãos.

Atentamente escutou o que as mais velhas partilhavam acerca do dinheiro que conseguiam quando tivesse um amigo que a sorte batesse a sua porta, conseguindo uma pedra valiosa. Pois, elas trabalhavam não só como comerciantes, mas também como sócio dos garimpeiros, por isso vendiam a bebida e o churrasco, cozinhavam para o grupo, e as noites serviam de esposas e tudo isto feito em contrato. Podia vir alguém naquela barraca, mas com consentimento dos membros do grupo em que elas tinham contrato e somente para comprar bebida e churrasco e logo sair.

Quando o grupo terminasse o trabalho e voltasse para a cidade, elas também pegavam viagem. Uma vez vendida a produção, o patrão leva o seu 50%, o grupo divide também consoante a produção restante. E o senhor dono da funcionaria de cozinha e trabalhadoras do sexo divide com esta numa percentagem de 15%.

Cabe salientar aqui que em caso de conviver com esta funcionaria 1 à dois anos a percentagem sobe para 25% e em caso de haver gravidez e consequentemente filho a percentagem passa para 50% além de passar a apoiar o filho caso haja possibilidades. Vendo o quantidade de dinheiro que estas levavam e os benefícios, tinham uma casa fruto deste trabalho. Isto aliciou a menina que também passou a praticar esta atividade. Criando uma tenda onde vendia Cigarro, Whisycoite, e cerveja em lata e trabalhando para os garimpeiros que a solicitasse.

Consegui uma casa na cidade. Só vivem lá os meus irmãos que estudam. Eu continuo a fazer ainda este trabalho. Mas estou triste e arrependida porque estes dias comecei a ter diarreia as noites constantemente. Primeiro pensei que fosse a cerveja ou a agua ou ainda a alimentação. Como a situação continuasse, fui marcar uma consulta, mas lá no hospital informaram-me que estou doente de HIV-Sida. Não sei quem o parceiro que terá me transmitido. Estou a lutar pela vida. Tenho um filho de 2 anos. Vive com os meus pais. Mas ele é saudável. Tenho pena. Mas já tomo medicamentos. Disse a menina de 17 anos.
Interroga se tem informado aos seus parceiros que é serropositiva. Simplesmente baixou a cabeça e começou a chora.

Meninas que se oferecem ou trocam as suas irmãs
Esta situação vivenciada por um adolescente de 16 anos, autorizou-nos o uso do seu nome. Mas por uniformidade do trabalho e os critérios a que nos propusemos, continuamos a manter o anonimato pelo que passamos a usar os inicias do seu nome RTMA. Este se sente responsável de si mesmo porque tem sua própria casa, conviveu maritalmente 6 meses com a menina implicada na sua historia de garimpo e que o decepcionou..
Trabalho do garimpo desde seus 11 anos como choqueiros (para identificar aqueles meninos das aldeias que em tenra idade vão num grupinho de menor para lavarem o rejeitado que os mais velhos abandonam, quando conseguem as zenguinhas, camanga(diamante) pequeno os famosos 0,25,050,07,08 e uma outra vez camanga de 1, 2 gramas, este levam para o compradores que consoante a quantidade e o velho chegam a vender 50USD à 200 USD e quando chega a 1 ou 2 gramas vendem a 500USD à 4000USD. Estes patrocinadores apoiam com comidas, e material de lavagem como a pás, redes e baldes. Incentivando desta forma que estes choqueiros, futuros garimpeiros profissionais se dediquem a atividade de exploração artesanal); Conseguiu construir uma casa de blocos de dois quartos e sala e tem duas motorizadas fazendo taxi e uma com que ele próprio circula quando está na cidade. È proveniente do Cacolo ediz ter conseguido uma camanga de 6 cara.

Conta que a dois anos atrás, um grupo de meninas menores de 18 anos apareceu num dos lugares em que eles trabalhavam provenientes do bairro circunvizinho a zona de exploração. No grupo estava uma menina que aparentava ter 10 ou 11 anos. Vinham trocar produtos do bairro com a mercadoria dos garimpeiros. Foi que o controlador chamou aquela que julgou ser a chefe do grupo e combinou com ela que havia de oferecer dinheiro que ele trazia para imprevistos caso esta aceitasse se deitar com ele.

A menina disse que o impedimento era a irmã visto que era menora de idade, e os pais tinha colocado ela no grupo como segurança. Caso ela fosse convencida ela não seria obstáculo porque as outras já sabiam e já tinham experiência de vida.

Então o assunto no primeiro dia pareceu ser difícil. Foi que entenderam voltar e procurar soluções de deixarem a irmã na próxima visita ao Txipulo(lugar de trabalho e acampamento dos garimpeiros).

Como os pais, interessados na troca insistiam mandar as meninas com a guardiã, em combino entre o grupo e o controlador, acharam por bem envolver a menina no jogo, mas obrigando esta a se envolver com o menor que ali se encontrava no grupo.

Pressionado e intimidade por todos, a menina cedeu e ficou com o RTMA. E no final o controlador também deu em troca a ela um pouco de dinheiro prometendo que havia de acrescer caso ela não contasse o sucedido e continuasse com o RTMA.

O que era assunto ocasional e pressionada, começou a ser um habito. E aos pouco a menina entrou na jogada e fazendo parte achando que era normal. O grupo nesta viagem, não tinha tido sucessos. E voltou para a cidade.

Conta RTMA que parece que a menina também viciou-se, pelo que começou a conhecer outros rapazes.

Na segunda viagem do RTMA ao Caiombo, tornou a encontrar a menina e ainda continuaram. Aqui tiveram sucessos e houve a necessidade do controlador cumprir com a divida pelo que as meninas tiveram que acompanhar para o Cacolo para receberem a percentagem. Foi assim que RTMA solicitou que ficasse com a menina. que não colocou muitos impedimentos, mas exigiu que o RTMA cumprisse com os deveres dando dote aos pais.

RTMA fê-lo apresentando o controlador como se fosse o seu tio. Como a produção era suficiente, o RTMA conseguiu um terreno e construiu uma casa na sede do Cacolo onde ficou a viver com a menina. O que surpreende a RTMA é que os amigos diziam que a sua casa era frequentada por outros garimpeiros que fossem bem sucedidos. O que deu a entender que a menina tinha outras relações na ausência do RTMA. Este convívio entre RTMA e a menina influenciada pelas irmãs levou apenas 6 meses.

“Quando foi expulsa, fiquei muito doente quando fui trabalhar no Xamiquelengue. O Boss trouxe-me para o hospital do Cacolo. Não melhorei, a família levou-me para os quimbandas alegando que era a família da menina que estava me fazendo mal. Dois meses fiquei em tratamentos tradicionais e não resultou.

O Boss que muito me gosta e diz que sou menino da sorte, mandou-me para o hospital provincial da Lunda Sul em Saurimo. Quando cheguei a Saurimo comecei a tossir o bastante. Os médicos pensaram que era o esforço do garimpo e o ambiente alimentar de privações dos quimbandas. Mas quando testei, deu positivo.

Eu não conheço outra mulher senão aquela menina. Também sei que a encontrei virgem. Eu fui o seu primeiro homem como ela me disse, e porque no primeiro dia tive muitos ferimentos no pênis, quase não consegui penetrar porque estava muito duro. Ela sangrou e para voltar a aldeia as irmãs tiveram que a levar nas costas. Agora foi assim que entendi o que me diziam das visitas. “ Desabafou o RTMA.

Penetração Anal entre garimpeiros
Caso muito recente. Aconteceu no Chiluagem onde houve fama da camanga verde. Txipulo é muito distante da população. Os Bosses só chegam aqueles que tem land cruiser por causa do areal. O trabalho leva um mês ou mais tempo. Os grupos trabalham distantes uns dos outros.

Uma entrevistada que preferiu o anonimato explicou a causa da sua doença:
Não sabia que o meu marido tem estado a se envolver com os outros homens quando vão para o garimpo. Tenho achado estranho. Quando chega quer sempre fazer sexo comigo anal ao em vez do vaginal. Quando não aceito ameaça bater-me.
Está ultima viagem, ele veio muito abatido e fraco. Quando viemos para o hospital não aceitou fazer o teste de HIV-Sida. Quase saímos a força do hospital.
Quando chegamos em casa perguntei porque não aceitou ser testado. Ele respondeume que estávamos a dormir com alguém doente aonde fomos e tenho medo que ele tenha me contaminado.
Perguntei que só ele dormia com este mesmo homem ou todos. Não me respondeu e ameaçou bater.

No dia seguinte voltei para o hospital e expliquei a doutora que me deu todas as possíveis explicações sobre a contaminação entendi e voltei para casa perguntei ao meu parceiro que o senhor com que dormia tinha ferimento e ele também tinha algum e houve cruzamento de sangue. Ele negou-se.
Quando recuperou, tivemos casos, como é normal para um casal. Depois de dois meses comecei a dar conta que não estava bem. E o meu marido pior. Como ficou muito doente a família dele levou-o para os quimbandas que disseram que ele tinha Mufo(morto) que estava roendo-lhe a barriga e era o seu Boss que queria mete-lo no dinheiro.
O meu irmão quando ouvi esta historia, levou-me para o hospital onde acusou a doença. A doutora pergunto se eu tinha um outro parceiro, eu disse que não, tinha feito transfusão nos últimos meses também neguei. Foi que, vendo as perguntas da doutora, passou-me pela cabeça a historia do esposo em querer fazer sempre o sexo anal comigo, quando relatei a doutora, esta pediu que tenta-se partilhar com o esposo. Quando expliquei ao tio do meu marido, este conversou com o sobrinho que se abriu a ele dizendo que tinham esta pratica de homossexuais quando fizessem muito tempo na mata. Foi um colega do garimpo que tinha começado duma forma violenta e pronto em pagamento repostei e o grupo caiu na rede. Como temos vindo a trabalhar com o mesmo boss, sempre que fossemos para a mata longe e por muito tempo esta era a maneira que tínhamos adoptado para satisfazer o apetite carnal. Mas desta vez, surpreendentemente, nos apercebemos dum colega que a esposa do nosso colega que tinha falecido a um ano atrás foi por causa da Sida. Estou abalou todo o grupo e eu comecei a fica doente desde lá por causa dos pensamentos e pesadelo.
Foi assim o tio decidiu tira-lo dos quimbandas e testado ficou esclarecido o seu emagrecimento e as constantes recaídas. Agora que toma medicamentos está bem e já pensa voltar para o garimpo. Deus ajude aquela doutora. Suspirou a entrevistada.

Presença, Influências corruptas dos estrangeiros
Esta história foi nos facultada pela denuncia de um grupo de cinco trabalhadores de exploração diamantifeira vulgo garimpeiro. Estes garimpeiros tem vindo a assistir ao fenômenos em quase todas áreas de exploração diamantifeira artesanal por onde tem passado para trabalhar.
Para confirmar os factos, nos dias 10 e 12 do mês de Dezembro de 2019, nos deslocamos, em companhia dos informantes, para constatação dos factos. No dia 10 fomos a zona do Samulambo, na antiga estrada do Luou, onde contactamos com duas raparigas que nos pareciam ter 12 ou 14 anos de idade, porque estas não tinham a certeza da sua própria idade. Questionadas qual tem sido o comportamentos dos compradores estrangeiros em relação as relações sexuais com adolescentes?
Responderam que eles chamam-nos, e quando tem viatura, nos fechamos lá. Acertamos uma certa quantia monetária, e o tempo que for necessário e lá nos relacionamos.
Tem alguma noção do risco da doença como HIV-Sida, gonorreia, sifles?
A resposta foi um sorriso.
E perguntando porque do sorriso?

Eis que nos disseram que ainda não se encontravam doentes, porque nunca estiveram acamadas senão pelo paludismo.
Já testaram para saberem se não se encontravam doentes?
Nunca tinham feito teste.
Mas como já tinham informações anteriores duma jovem que se encontrava doente e proveniente deste mesmo local. Buscamos localiza-la através destas duas meninas. O que nos foi possível.
Vamos manter o anonimato tanto da fonte que nos fornecerá dados sobre a menina com a qual vamos estabelecer o contacto, e da própria menina, pois os nossos dados se destinam a apresentar uma pesquisa sobre a adolescência e o HIV-Sida por influencia ou corrupção da exploração diamantífera.
Tendo saudade ela, informamos que tinham a missão de partilhar a informação, mantendo o anonimato a fim de prevenir e ajudar para reduzir a exploração sexual nas zonas circunvizinhas as zonas de exploração artesanal de diamante. Por isso, precisamos de testemunhas oculares.
Discurso que foi aplaudido pela vitima que disse que se isto tivesse sido muito antes feito com ela talvez não se encontrasse no estado em que ela esta. Por isso, mostrouse receptível e disponível para prestar informações desde que respeitássemos a sua privaticidade e mantivéssemos o anonimato.
Perguntamos quantos anos ela tinha?
18 anos de idade.
Tinha algum filho?
Não
Com quem vivia?
Com os pais
Quantos irmãos eram?
6 irmãos. Três rapazes e três meninas o que os pais faziam para sustentarem os 6 filhos?
Os pais trabalham na lavra. Mas os dois irmãos mais velhos nossos são garimpeiros e quando conseguem ajudam os pais. Nós as meninas temos ido a lavra uma vez a outra com os pais. E os nossos amigos quando conseguem dinheiro também nos dão. Com esse dinheiro compramos roupas.
Frequentas a escola?
Terminei a 3 classe.
Sabe ler
Não como foi para saberes que se encontrava doente?
Comecei a emagrecer, e durante uma semana tive diarreia muito forte e o meu irmão levou-me ao hospital em Saurimo. E lá piquei e acusou que estava doente.
Sabes quem terá sido o parceiro que te transmitiu?
De concreto não. Mas desconfiou que foi um dos boss compradores de diamante.
Porque desconfias?
Porque o meu namorado é do bairro, e só vai comigo. Mas uma destas vezes por necessidade e ambição, vinha sozinho do rio encontrei-me com um boss que me prometeu 300 U$D e me deitei com este Senhor. Antes nunca tinha feito coisa igual. Mas tínhamos fome em casa, precisava de roupa e postiço e não pensei e nem imaginei que o Senhor fosse doente. Estou muito arrependida.
Logo pôs-se em choro.
Tivemos que suspender por alguns minutos a entrevista para deixar que ela voltasse a sério. Passados minutos disse-nos que estava disposta a continuar partilhar a sua experiência. Pelo que retomamos a entrevista.
Reconhece o senhor?
Creio que não, porque foi um contacto ocasional, e ele falava um português que me pareceu ser um congolês ou maliano.
E se tiver que vir da mesma viatura?
Muitos são mandados pelos boss grandes que ficam na cidade, nós sabemos disto.
Imagine se fosse gravidez ao em vez da doença?
É filho, íamos cria-lo.
Com quem?
Seria do meu namorado do bairro. E os pais iam ajudar a criar.
Com esta experiência um tanto ao quanto amargo o que tens dito as outras? No bairro ninguém ainda sabe senão o meu irmão e os meus pais. Mas tenho avisado a todas minhas amigas que estes boss não são boas pessoas, vale apenas os garimpeiros é melhor evitarmos os senhores.
Só não sei se as outras me escutam. Não sei.
Agora usas camisinha?
Estou a me recuperar. Nem com o meu amigo nem com ninguém tenho tido relações, graças aos medicamentos que trouxe do hospital que estou a voltar a ter o corpo.
E o teu amigo como será. Porque não partilhas com ele?
Tenho medo. Mas eu antes de ficar muito mal, me deitei com ele. Já não sei como ele está, penso que ele não tem problemas porque nunca ficou doente e continua a trabalhar normalmente na exploração artesanal de diamante.
Minha irmã muito obrigado pelo tempo que nos cedeste que Deus te ajude a melhorar. Recordar que a entrevista foi feita em Cokwe.

No dia 12 de Dezembro, com a mesma equipe, mas já com o compromisso de deixalos no lugar de trabalho, mas antes ajudariam na busca de informações acerca da influencia e a corrupção de estrangeiros na pratica sexual com adolescentes ou jovens, deslocamos para o bairro Txambuze.
Tendo chegados encontramos uma barraca onde vende bebidas, arroz, óleo e outros produtos da sesta básica. A cantina era do estrangeiro já com uma certa idade.
Como já trazíamos informações desde os nossos guias que este velho aliciava as crianças em troca de carinho, um sexo oral em troca de dinheiro ou produtos que ele vendia, então procuramos passar mais tempo no local para controlar as entradas e saídas já que o local de exploração artesanal se situava perto das casas do campo, atenção, não eram propriamente aldeias, mas casas do campo com 3 ou quatro famílias que viviam nas lavras. O Bairro Txambuze dista a 7 Km do local, o que permite que também as Jovens ou seja adolescente do bairro frequente este local. Verdade que nos foi confirmada por duas Senhor que também vinham fazer comercio neste mesmo local. Que este Senhor estrangeiro já lhe faltavam forças, entretanto, para o seu agrado e satisfação do impulso carnal animaléstico usa adolescente para seu estimulo e satisfação pelo broxe(sexo oral onde a mulher deixa penetrar o pênis na boca) ou ele mesmo fazia minete(lamber o sexo da mulher) e em troca paga. Como o nosso compromisso não era de passar dias, não tivemos a ocasião de provar com alguma vitima, nem de estarmos ao ocorrente do estado serológico deste ansião e das vitimas. Pelo que quando foram 19h30’ fizemo-nos de volta para a cidade de Saurimo.

Conclusões

As principais conclusões feitas nesta pesquisa são;
Mulheres e meninas que vivem dentro e nas proximidades das zonas de mineração são vulneráveis à exploração sexual nas mãos de mineiros artesanais, trabalhadores formais de minas e empresários locais principalmente devido à sua vulnerabilidade econômica.
As mulheres jovens nas zonas de mineração têm pouco e às vezes não têm acesso as informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva. Juntamente com isso, estão normas e crenças tradicionais que limitam a comunicação dentro da unidade familiar sobre sexo e sexualidade, expondo as mulheres jovens a gravidez indesejada, aborto inseguro e doenças transmitidas sexualmente, incluindo HIV / SIDA.
O acesso à educação de qualidade nas zonas de mineração é limitado. Embora existam escolas primárias e secundárias na maioria das zonas de mineração, as escolas secundárias estão confinadas ao centro de Saurimo, afetando o acesso das jovens à educação continuada e consequentemente aprisionando-as em um ciclo interminável de pobreza.
Há pouco reconhecimento do impacto da indústria extrativa no gênero, particularmente no que se refere à saúde sexual e reprodutiva de meninas e mulheres adolescentes.
O sexo anal entre os trabalhadores informais de minas (garimpeiros) coloca seus parceiros sexuais em risco de doenças sexualmente transmissíveis, incluindo HIV / SIDA.

Recomendações

Baseado nas conclusões tiradas do estudo, Mwana Pwo recomenda-se o seguinte;

O governo deve estabelecer estruturas legislativas para proteger mulheres e meninas nas zonas de mineração contra exploração sexual. O Artigo 6 da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), da qual Angola é um Estado Parte, observa que, ‘Os Estados Partes devem tomar todas as medidas apropriadas, incluindo legislação, para suprimir todas as formas de tráfico de mulheres e exploração. prostituição de mulheres.´
Também é necessário investir nas comunidades locais, fornecendo benefícios económicos e sociais equitativos. Governo, empresas de mineração e empresas locais podem facilitar a criação de pequenas e médias empresas por moradores locais, particularmente mulheres que são mais vulneráveis. Isso aumentará sua independência económica e reduzirá a vulnerabilidade.
Que a autoridade local aumente o número e a eficiência dos centros de saúde nas comunidades mineiras e nos seus arredores, para garantir que mulheres e meninas acessem informações sobre saúde sexual e reprodutiva. Também é necessário desenvolver uma política sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes, que reconheça a necessidade dos adolescentes terem acesso a uma educação abrangente sobre sexualidade nas escolas e nas comunidades.
O fornecimento de instalações de aprendizado adequadas para os jovens, principalmente as mulheres jovens, é fundamental para garantir que elas tenham acesso a uma educação de qualidade e, consequentemente, escapem do ciclo de pobreza. Recomendamos que o governo e as empresas de mineração forneçam escolas primárias e secundárias que respondam às necessidades dos habitantes locais. Como alternativa, eles podem investir no fornecimento de internatos para jovens de comunidades mineiras para garantir que eles recebam educação de qualidade.
É necessário que o governo, as empresas de mineração e as organizações da sociedade civil conduzam pesquisas contínuas sobre o impacto da indústria de mineração no género, a fim de criar programas que respondam às necessidades específicas das comunidades.
É necessário que a sociedade civil em parceria com os órgãos do Governo, forneçam educação:
em saúde
sobre os riscos do sexo desprotegido
importância do uso do preservativo para garimpeiros e meninas e mulheres das zonas de mineração artesanal.

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